PERPLEXIDADE
A VIDA DOS "OUTROS" - REFUGIADOS
Não sei o que sentir!
vejo aquele corpo minúsculo,
imóvel, inerte, sem vida, impassível
carregado em trêmulos braços
um corpo
que já não é mais um corpo....
não mostram o rosto infantil
é um bebê de 3 anos
encontrado,
junto a outros pequenos corpos na areia,
naquela praia estrangeira...
Não sei o que sentir!
tentou, junto à sua família,
fugir da barbárie,
fugir da morte,
buscar abrigo,
buscar refúgio,
encontrar acolhida,
encontrar um chão,
encontrar guarida
encontrar a Vida...
em vão!
Não sei o que sentir!
há os que morrem por praticar esportes radicais
há os que morrem por cometer gulas,
exageros, luxúrias...
há os que morrem de fome
há os que morrem de tédio,
de carência,
de demência,
de solidão,
de penúrias...
e há os que morrem
simplesmente porque não querem morrer,
porque tentam existir,
porque fogem da morte
e, ao fugir da morte,
é exatamente a ela que encontram,
não há como fugir ....
há os que morrem
simplesmente para não morrer....
Não sei o que sentir!
vejo aquele corpo minúsculo,
imóvel, inerte, sem vida, impassível,
carregado em trêmulos braços
um corpo
que já não é mais um corpo...
não mostram seu pequeno rosto infantil....
Não sei o que sentir!
Lucia Barros Freitas, 03.09.2015.